As eleições estão chegando, mas se equivoca quem acha que é só nas urnas que votamos. No dia-a-dia votamos e elegemos inúmeras vezes, mesmo sem perceber. Quando compramos um produto, está embutida a nossa aprovação por ele, pelos ingredientes que o compõem, pela empresa que o fabrica e, conseqüentemente, pelas políticas que essa empresa adota para com seus funcionários, o meio ambiente etc. Para cada garfada que damos em nosso alimento concordamos que aquilo pode fazer parte do nosso ser, que nosso corpo está recebendo o melhor e o mais saudável. Ao assistirmos ao noticiário ou a um filme estamos acenando e dizendo “sim, isso vai me fazer bem”. Afinal, tudo é alimento... Tudo que entra em nosso corpo nos nutre, se transforma em músculos, pele, sangue, pensamentos, sentimentos, emoções. Você dá atenção a essas coisas? Não? Então experimente. Faça o exercício do bom voto, do voto consciente, durante uma semana.
Se você fizer disso uma prática, sentirá uma enorme responsabilidade por tudo o que acontece com você. Aos poucos, sua responsabilidade se estenderá por quem está ao seu redor e, com o tempo, você irá adquirir um senso de união com todos os seres. O cuidado consigo e o cuidado com o outro, seja um ser humano, seja um animal, um rio ou uma rua, passa a ser um ato de amor profundo.
Quando elegemos conscientemente tudo o que compõe a nossa vida, até escolher um candidato é fácil, porque basta se perguntar: Essa pessoa é digna da minha admiração e do meu sim? Eu aprovo seu tipo de comportamento? Acredito no que diz? Não basta esperar ética e respeito dos outros. Um cidadão ético, atento e consciente sabe que cada ato seu reforça um tipo de sociedade.
Ao fazermos escolhas conscientes agiremos de modo a nos tornar seres melhores, com uma existência repleta de significado. “Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo” (Ghandi).
Cássia Janeiro
Membro da Academia Metropolitana de Letras, Artes eEscritora, poeta e educadora (cassiajaneiro@uol.com.br) Ciências – AMLAC
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