Sempre que penso sobre a paz, lembro-me de Pierre Weil. A não-violência está ao alcance de qualquer um e é o nosso exercício de paz. No trânsito, no trabalho, na família, todos nós temos oportunidades diárias de exercitar a paz.
Ela nasce do amor, de um amor compassivo. Quando o sol brilha, diz a sabedoria budista, ele não escolhe quem aquece ou ilumina. Ele simplesmente está ali, disponível. E, ao pensar nisso, lembro-me de Pierre Weil.
O amor e a paz necessitam de uma expressão, de um espaço na vida de todos nós. Estamos habituados a achar que a vida é inexorável, que senso comum é bom senso e que não podemos mudar o mundo. Fomos ensinados assim e absorvemos a realidade com uma crítica rasa, que não passa pela nossa própria transformação. Achamos que é normal o que é apenas cultural, o que está estabelecido. Pessoas lutando apenas por seus próprios interesses, parecem “normais”; pessoas que vivem seus dias sem significado, esperando o fim-de-semana para não fazerem nada e se irritarem com a programação dominical, sem desligar o aparelho de TV, isso também é “normal”. A isso, Pierre Weil deu o nome de normose. Somos os únicos seres que temos plena consciência de que vamos morrer e mesmo assim “matamos” tempo ou brincamos de “passa-tempo”, como se ele fosse eterno.
Se alguém pergunta quem você é, a resposta é o que você faz ou o que você tem. Não se preocupe, quem indaga geralmente quer saber isso mesmo. O ter está no lugar do ser há tempos.
Há pessoas, contudo, que conseguiram superar esse estágio e que construíram uma vida luminosa, tão luminosa que seu brilho está ali, como o sol, disponível a todos. Pierre Weil era assim. Bastava entrar, estar num lugar, e tudo fazia sentido, saíamos do nosso estado de normose para um plano cósmico. Seus livros são uma contribuição generosa à humanidade e sua leitura eleva o espírito como uma oração.
Pierre era uma das poucas pessoas que dispensavam apresentação. É difícil falar a seu respeito, porque está fora do “quem sou eu” convencional. Pierre era ímpar, era Pierre. O mundo é melhor hoje porque nele esteve, até o último dia 10, uma luz chamada Pierre Weil.
Escritora, poeta e educadora (cassiajaneiro@uol.com.br)
Membro da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências – AMLAC.
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