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|Colunistas|
Marcelo Coelho
Artigo: Notícias do Primeiro Mundo
Publicado em:
01 de novembro de 2008
às 17h30
Notícias do Primeiro Mundo

Na Itália, está em curso uma reforma no sistema educacional. Desistiram de avaliar os alunos na base de “conceitos” –bom, satisfatório, aceitável, insuficiente—para voltar ao velho esquema de zero a dez.

“É mais claro”, diz uma professora. Sobretudo, na minha opinião, expressa que o professor deixa de ter medo diante das reações do aluno. O tal “insuficiente” pode, na prática, signifcar tanto quanto um três, um dois e meio, um quatro. Mas é sinal, acima de tudo, da timidez de uma autoridade encarregada apenas, sem nenhum abuso de poder, de dizer se o aluno vai bem ou vai mal.

O eufemismo que se revela na substituição da nota pelo “conceito” não tem outra conotação, a meu ver, do que esta: o fato de que o professor está intimidado diante do mau desempenho do aluno.

Ele sabe (e o aluno também) que os resultados daquele trimestre foram péssimos. Em vez de dar nota 2, ele dá “insuficiente”. Com isso, o professor se culpabiliza e se debruça sobre o aluno, a quem seria o caso de dar mais atenção. Não sou contra que se dê mais atenção a esse aluno. Mas a nota 2 terá, sobre esse aluno, o efeito de uma chamada às suas próprias responsabilidades que o “insuficiente” anula, pela mágica do paternalismo.

Mais importante do que isso, voltou na Itália a nota de comportamento. Subjetiva, inibidora, castradora, se quisermos, do “espírito crítico”. Mas indispensável, a meu ver, numa situação escolar em que alunos ameaçam os professores de violência física, e em que a mera ameaça de suspensão não traz nenhum efeito.

Seria uma medida simples a ser adotada em qualquer colégio público ou particular de São Paulo: sem boa média de comportamento, o aluno repete de ano.

É evidente que, hoje em dia, o problema dos educadores com os alunos não se concentra no fato de haver lições mal-feitas ou de se ir mal numa prova qualquer. O problema é que é fácil passar de ano, e que nenhum professor consegue elevar sua classe do plano da barbárie ao plano da civilização; este é o principal objetivo de toda escola, e fracassa quando tudo é frouxo e complacente demais.

Idéias italianas, e, portanto, idéias de Berlusconi. Quanto ao potencial fascismo dessa proposta, diga-se que a maioria dos professores italianos são favoráveis a ela, embora protestem violentamente contra outros aspectos da reforma, que prevê violentos cortes de mão de obra. 

 

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