Artigo:Empreendedorismo: Riscos e Recompensas Publicado em:
01 de novembro de 2007
às 10h55
Empreendedorismo: Riscos e Recompensas
A vida vem em ondas, como o mar.
( Vinicius de Moraes – O Dia da Criação)
Há quem diga que o sucesso é tirano. Talvez só os que realmente já chegaram ao topo – de qualquer que seja sua montanha própria – possam depor a esse respeito. Porém, se aceitarmos um senso mais ou menos comum a respeito do que é considerado sucesso no mundo dos negócios, podemos antever um pouco dessa tirania.
O mundo dos negócios também vem em ondas, como o mar. E em tempos de alta competição e excesso de informação, o mar quase nunca é calmo. A ressaca é presença constante.
Em meio a tantas ondas bravias, uma que tem tido destaque aqui por nossas costas desde a década de 90, é a onda do empreendedorismo.
Se você, só por acaso, decidir ir ao dicionário procurar a palavra (ao invés de recorrer ao Google), vai ver que ela ainda não foi adicionada à nossa compilação. Ao menos não ao Houaiss on-line. Se a ferramenta usada for, porém, o Google, ou se você quiser fazer uma visita à Wikipedia, haverá baldes de informações disponíveis. Quantas dessas informações não serão apenas ondas?
Resumindo um pouco do que você pode encontrar já escrito por diversos consultores e gurus do empreendedorismo - eles afirmam que um empreendedor reúne um conjunto de características em seu perfil que os faz ser alguém que:
Gosta de assumir riscos e o faz com tranqüilidade;
É altamente extrovertido e comunicativo;
É um vendedor nato;
É um líder para outras pessoas;
Não se incomoda por trabalhar sem descanso, atravessando noites, finais de semana, feriados e raramente tirando seu merecido período de descanso;
É um visionário.
Lembrando Joseph Campbell: seria essa mais uma das mil faces do herói?
Existem também algumas definições apresentadas por autores clássicos em áreas da administração, que devem ser sempre lembradas. Em seu livro, Innovation & Entrepreneurship, publicado em 1995, Peter Drucker afirma:
“Empreendedores vêem a mudança como normal e saudável. Usualmente eles não trazem pessoalmente a mudança. Porém - e isto define o empreendedor e o empreendedorismo - o empreendedor sempre procura a mudança, responde a ela, e a explora como uma oportunidade.”
Lester Thurow, economista mundialmente famoso, diz o seguinte em seu livro Building Wealth:
“A História nos ensina que é muito fácil esmagar o empreendedorismo. É uma característica humana que a despeito de seu poder criativo e destrutivo, é extremamente frágil. Na maioria das vezes e dos lugares, não existem empreendedores. Existem as mesmas possibilidades econômicas, mas elas não são vistas e falta energia para trazê-las ao mercado, ou os riscos envolvidos são vistos como grandes demais para serem aceitos.”
Não precisamos nos estender muito mais a respeito dos conceitos relacionados ao empreendedorismo para entender que nem é fácil, nem é para todos.
E isso é ruim? Faz de nós, seres humanos “normais”, pessoas menos fadadas ao sucesso no mundo dos negócios?
Eu acredito que não.
Há muitas possibilidades de sucesso nesse universo. Os caminhos da realização são múltiplos e pessoais; e ter, dirigir ou gerenciar uma empresa - seja ela uma construtora ou um escritório de arquitetura, uma indústria ou uma prestadora de serviços - demanda mais do que características pessoais empreendedoras. Demanda habilidades básicas e administrativas (ou gerenciais), além das habilidades técnicas relacionadas ao setor de atuação.
Vamos considerar mais alguns pontos importantes, sempre lembrados pelos estudiosos do empreendedorismo no mercado norte-americano: eles diferenciam muito bem empresas empreendedoras, de pequenas e grandes corporações. Lá, aliás, pequenos negócios nem sempre são tão pequenos, uma vez que essa segmentação abrange empresas com até 500 funcionários. E mais, a maioria das empresas norte-americanas não é tida como “empresa empreendedora”. E nem por isso essas empresas deixam de alcançar o sucesso e de contribuir para o crescimento da economia.
Ufa, que bom! Se não atingirmos o nirvana das características empreendedoras, poderemos ser apenas empresários, ou executivos de sucesso...
Apenas? Tem quem ache pouco? Pois não é, não.
Aqui entre nós: se há ao menos uma das características pessoais do perfil “empreendedor” que deve ser comum a empresários e executivos bem-sucedidos, ela provavelmente é a capacidade de estar “antenado” e estar “antenado” nos dias de hoje já é tarefa hercúlea.
É daí que, dentre tantas áreas a serem (muito bem) geridas em sua empresa para que ela possa atingir o sucesso e o crescimento desejados, chegamos àquelas que abracei por paixão: marketing e vendas .
É por isso que hoje escrevo para você.
Este artigo introdutório tem o objetivo de tentar chamar sua atenção para alguns dos pontos que estarão em foco permanente nesta coluna: o empreendedorismo, a gestão empresarial e – principalmente – as técnicas, conhecimentos, competências e novidades associadas à gestão de marketing e vendas.
Só para dar uma “palhinha” do que vem pela frente, vamos lembrar mais um ponto comum ao sucesso alcançado por empreendedores, empresários e executivos - eles compartilham uma maneira similar de pensar sobre seus negócios: a principal finalidade de sua empresa não é fazer dinheiro ou simplesmente aumentar os lucros. A finalidade principal de sua empresa é adicionar valor real às vidas de seus clientes.
Quando uma empresa deixa de lado sua obsessão a respeito de seus maravilhosos produtos e serviços e passa a ter obsessão por adicionar um enorme valor às vidas de seus clientes os lucros decolam . E, como um bônus adicional, fazer negócios torna-se muito mais prazeroso.
Isso tudo é puro marketing. E na melhor acepção da palavra, não nas diversas distorções que habitam algumas mentes.
Falando em vendas e esclarecendo um pouco mais: alguém pode vender (ou tentar vender) casas e apartamentos, por exemplo, mas o que o cliente quer comprar – na maioria das vezes - é muito mais que isso: é um lar!
Definir uma oferta de acordo com uma oportunidade de mercado, atrair o comprador, entender seu perfil, sua visão de lar (ou, se é um investidor, seu perfil de investimento), mostrar a ele o que ele quer, satisfazer suas necessidades explícitas e implícitas, entregar valor real... Isso é marketing!
Assinar o contrato (de acordo com a melhor negociação possível) é vendas!
O empreendedor, o empresário e o executivo estão em busca de sucesso (mesmo que tirano) e - logicamente - dos lucros. Alcançá-los, porém, é uma questão de entender e aplicar corretamente várias técnicas e ferramentas de gestão, entre elas, as de marketing e vendas.
Falaremos sobre estes e muitos outros assuntos nos próximos artigos. Você verá que com boas ferramentas de gestão de marketing e vendas, vai dar até para tirar as merecidas férias no tempo certo !
Ah, sim! E quer saber por que o artigo se chama Riscos e Recompensas, se não comparei aqui as diferenças entre eles para o empreendedor, o empresário e o executivo?
Porque são meus. Assumi o risco de você não gostar deste tema. Porém, se tiver gostado e voltar para acompanhar os próximos artigos, isso já será recompensa. E da boa!