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Jorgette Oliveira
Artigo: Temos muito por fazer
Publicado em:
30 de junho de 2008
às 15h46
Contato:
jooliveira@assat.org.br
Temos muito por fazer

As últimas décadas têm sido pródigas em dramáticas transformações que vêm ocorrendo na realidade do trabalho: altas taxas de desemprego, presença do desemprego estrutural, intensificação do ritmo de trabalho, crescimento do trabalho temporário e de tempo parcial, polarização em termos de qualificação e para os que permanecem no emprego angústia e medo de serem demitidos e um contingente cada vez maior de excluídos do mercado formal, de “sobreviventes” no comercio clandestino e desempregados sem nenhuma renda.

No decorrer desse processo de mudanças guiado pelas inovações tecnológicas e pela chamada globalização as economias começam a configurar uma nova dinâmica social, baseada no fato de que desemprego não representa o fim do trabalho e sim a busca de novas modalidades de renda redefinindo os aspectos de uma nova sociedade pós – industrial que prima pela mobilidade, por formas de inserção não convencionais e antes inexistentes e que distingue definitivamente o empregado formal, do trabalhador capaz de gerar renda lícita, e que além de diferenciar e não estender nenhuma proteção social e trabalhista exclui violenta e definitivamente os demais.

Infelizmente, estamos construindo uma sociedade em que o desemprego acrescido de desvantagens como baixa escolaridade, formação profissionalizante, cultura, informação e auto-estima impõem empobrecimento da família à privação sócio-cultural à apatia política e uma reação em cadeia que resulta em injustiça e ausência de equidade jurídica.
Assim, os indefesos, pobres e marginais não podem mais contar com proteção jurídica; a conseqüência é a violência nas cidades contra meninos de rua, favelados e negros, no campo contra posseiros, sem-terra, índios e ribeirinhos e, em toda parte, contra crianças, adolescentes, mulheres e homossexuais, entre outros.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), dois bilhões de pessoas estão desempregadas ou subempregadas, e mais de um bilhão vivem na pobreza. O número de analfabetos chega a um bilhão, mais de 800 milhões experimentam fome aguda e o exército dos desabrigados aumenta praticamente em todos os países.
Do ponto de vista econômico, a concentração da renda aumenta cada vez mais e a miséria e a criminalidade crescem em guetos e em áreas de alta densidade demográfica e o dinheiro que age legalmente se mistura com o que age criminosamente.

No nosso Brasil esse horror é institucionalizado, e protegido pela impunidade e pela corrupção. Milhões de brasileiros são vitimas da negação do estado de direito e do bem estar social.
A democracia e a cidadania são direitos positivos de todo e qualquer ser humano e como economista eu tenho um sonho: que a economia exista em função das pessoas, e que possamos decidir democraticamente nossos destinos na condição de membros iguais de uma sociedade não excludente.

Diante desse quadro alarmante e vergonhoso as últimas décadas do século 20 evidenciaram a disposição de agentes públicos, privados ou do terceiro setor de lutarem contra a exclusão social.
O objetivo era o de incorporar mais plenamente - do ponto de vista econômico e social - os segmentos marginalizados.
Tal mobilização, de início ocorrido em países com forte tradição de ações comunitárias, espalhou-se em escala mundial, acompanhando os desdobramentos da chamada globalização. Inúmeras instâncias internacionais, regionais, governos, empresas, associações e organizações não-governamentais mobilizaram seus esforços com o intuito de combater a exclusão.

É nesse contexto que surgiu a ASSAT focada no enfrentamento de uma questão crucial de exclusão: O desemprego. Assumimos como desafio e missão a inclusão sócio-produtiva com responsabilidade ambiental.
Apresento uma parcial prestação de contas de nosso trabalho e parceiros.

Nossas idéias, ações e projetos resultantes de parcerias sociais contribuíram para mudanças efetivas, duradouras e de caráter estrutural e estamos muito orgulhosos pelo o que já realizamos, entretanto, somos uma gota no incêndio da floresta e embora façamos a nossa parte tenho a certeza e convicção de que podemos e devemos fazer mais.

E embora nosso país tenha uma fraca tradição de mobilização comunitária e seja altamente dependente de iniciativas governamentais, a ASSAT tem conseguido sensibilizar pessoas comprometidas e conscientes do seu papel e responsabilidade social, entretanto, precisamos de mais apoio e de mais parceiros.

O nosso maior desafio é ampliar a rede de colaboradores criando um novo marco nas relações sociais, ampliando a intervenção da ASSAT e tornando-a cada vez mais um instrumento de mudança nos setores onde atuamos.

A democracia e a cidadania são direitos positivos de todo e qualquer ser humano e como economista e presidente da ASSAT eu tenho um sonho: que a economia exista em função das pessoas, e que possamos decidir democraticamente nossos destinos na condição de membros iguais de uma sociedade não excludente.

Juntos e caminhando nessa direção deixaremos no mundo a nossa marca, e no plano da nossa existência, braços vigorosos de trabalho e uma caminhada de amor e comprometimento.

Com carinho

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