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Flávia Lippi
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Artigo: A grande virada
Publicado em:
02 de novembro de 2008
às 10h15
A grande virada

Quantas vezes ouvimos numa conversa ou outra alguém que mudou de vida.
Já ouvi casos de professoras de yoga que cansaram da vida tranqüila e se tornaram grandes executivas e já ouvi casos de grandes executivos que se cansaram e montaram uma pequena pousada numa praia qualquer.
Pois é. Neste mundo líquido, tudo se transforma rapidamente.

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, define vida líquida, como uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que o necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas,das formas de agir.
A liquidez da vida e da sociedade se  alimentam e se revigoram mutuamente. A vida líquida, assim como a sociedade, não podem manter a forma ou permanecer em seu curso por muito tempo.

Em suma: a vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante. As preocupações mais intensas e obstinadas que assombram este tipo de vida são os temores de ser pego tirando uma soneca,não conseguir acompanhar a rapidez dos eventos,ficar para trás,deixar passar as datas de vencimento,ficar sobrecarregado de bens agora indesejáveis,perder o momento de que pede mudança e mudar de rumo antes de tomar um caminho sem volta.

A vida líquida é uma sucessão de reinícios,e precisamente por isso é que os finais rápidos e indolores,sem os quais reiniciar seria inimaginável,tendem a ser os momentos mais desafiadores e as dores de cabeça mais inquietantes.
Entre as artes da vida líquido-moderna e as habilidades necessárias para praticá-las,livrar-se das coisas tem prioridade sobre adquiri-las.
Estou falando isso porque depois de 20 anos morando em São Paulo e muitos deles na Granja Viana, estou me mudando para João Pessoa , na Paraíba.
Não que eu esteja jogando tudo fora, mas sim, reiniciando uma caminhada diferente onde São Paulo certamente estará em meus planos, mas de um ponto de vista diferente.

Não mais para tentar frear o consumo que bate em minha porta diariamente, mas sim para buscar algo que no dia-a-dia não mais conseguia enxergar.
Quero o costume de ouvir de volta à minha rotina. Quero o sossego da noite, da pestana da tarde, do lanche sem compromisso, do ver por ver sem ter que ter.
Quero a São Paulo das arte pela arte, da música pela música, da amizade pela amizade.
Talvez longe dela diariamente, consiga estar perto do melhor dela .
Que a ponte JP / SP seja feita com freqüência para consolidar os 20 anos de vida vividos intensamente nesta vida líquido-moderna. 

 

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