| De repente engordei sete quilos. Gula, fome, doença, desequilíbrio? Como todo mundo primeiro achei um culpado, depois descobri a gula. Uma gula interna que me comia antes que eu sentisse fome. Uma gula que em equilíbrio me devolveria a vontade de fazer tudo ritmado, equilibrado como sempre foi.
Fui ao médico, descobri um problema de tiróide. Comecei o tratamento e junto comecei a entender a fome. Fome de vida, fome de trabalho, fome de amor. A tiróride foi só uma parceira no processo. Dr. Maurício Hirata o médico japonês que me encantou com os ensinamentos da fome , me devolveu a sabedoria do gourmet.
Aos poucos vi a necessidade da gula, mas aquela inteligente que utilizamos a nosso favor. A fome de viver com vontade de criar e experimentar. A mesma compulsão que te faz matar uma caixa de chocolate sozinha pode de maneira gourmet, te fazer criar uma nova vida. Experimentar de tudo um pouco. De tudo da vida, da mesa, da cama, do trabalho. Olhar de gourmet, é um olhar atento, ao sabor, ‘a textura, ao tilintar dos talheres. Como na vida, um gourmet sabe a hora de parar e não entupir seu maior apreciador. O glutão não sabe diferenciar uma coisa da outra e tudo ao mesmo tempo e ao mesmo tempo tudo de novo, vai tornando a vida pesada, sem graça, sem desejo do novo.
Ando gulosa, mas agora pela vida de volta. Me tornei gourmet dos momentos, aprecio, olho, observo por onde deve ir e quando devo parar.
Minha tiróide agora é minha fiel escudeira e juntas estabelecemos um acordo de harmonia. E ‘a propósito todos cabem de todas as maneiras na diversidade humana. Quilos não significam nada sem equilíbrio.
“A diversidade de formas de vida é a maior maravilha desse planeta.Estamos alterando e destruindo os ambientes que criaram diversidade de formas de vida por mais de um bilhão de anos”. Edward
|