No mundo de hoje a microeletrônica está presente de forma inquestionável em praticamente todas as atividades e campos do conhecimento humano. O fato de você estar lendo essas linhas, assim como inúmeras atividades do seu dia-a-dia, está ligado a tecnologias cada vez mais sofisticadas, que têm como suporte a microeletrônica.
A disseminação generalizada dessa tecnologia tem provocado mudanças também na dinâmica das atividades humanas, ressaltando a importância do conhecimento para uma inserção social efetiva. A sobrevivência no mundo urbano moderno exige conhecimentos, se não ativos ao menos passivos, de padrões, técnicas, comportamentos, habilidades, instruções, etc.
Cabe, pois, à educação, importante papel na intermediação dos processos que levem à qualificação das pessoas, para dar conta da necessidade de constantes readaptações impostas pela vida contemporânea ao perfil da população, sobretudo no mundo do trabalho.
A educação precisa atender à demanda dos trabalhadores com novo perfil de qualificações, mas também se preocupar com formação voltada para outras atividades na medida que qualificação não significa necessariamente emprego.
Com um mercado de trabalho bastante exigente, para conseguir trabalho muitas vezes é importante, além de estudos, desenvolver algumas habilidades específicas, e ter um conhecimento prático de como determinadas rotinas de trabalho funcionam.
No Brasil há milhões de jovens excluídos desse processo, sejam as balsetes da ilha de Marajó (crianças e jovens que se prostituem no Rio Amazonas, no trecho Manaus – Belém), quanto os jovens que vivem nas periferias das grandes metrópoles.
Não dá para admitir jovens de treze a dezesseis anos se vendendo por R$ 1,99. Nas estradas e rios do país há crianças e jovens comercializando a única coisa que possuem; seu corpo.
Estamos concorrendo com a marginalidade, que paga bem; com a droga que paga bem, com a prostituição que paga bem, e com o alcoolismo. Precisamos dar uma direção a esses jovens qualificando-os.
Não adianta aumentar o efetivo de policiais na rua se não se der condições dignas aos jovens de ingressar no mercado de trabalho.
Muitas faculdades estão formando pessoas, que não acham colocação. O jovem formado vai concorrer também com aquele que não teve oportunidade de estudar. É preciso investir pesado na qualificação.
Investir na qualificação é dar um caminho às pessoas. Porque elas querem trabalhar, mas muitas vezes não tem condições. O nosso povo não gosta de ficar pedindo esmola, cesta básica e remédios no posto de saúde. Ele quer ter o direito de trabalhar, quer saber fazer alguma coisa. E na maioria das vezes não teve a oportunidade de aprender.
Pode ter certeza que dar uma condição de sobrevivência às pessoas, qualificando-as, é o que elas querem.
O Ceat e o Cbt parceiros da Assat, tem quase um milhão de pessoas cadastradas procurando emprego, e muitos não sabem fazer praticamente nada. Aí querem trabalhar em “qualquer coisa”, e pegam serviços que não tem sentido. Com a qualificação é diferente. Vou dar um exemplo prático. Uma rede de postos de gasolina precisava de 60 pessoas para trabalhar como frentistas; qualificamos 200. A empresa pegou as 60 que ela precisava, e as outras pessoas conseguimos encaminhar para outros postos de gasolina e estão trabalhando.
Vamos ver outro exemplo ,não adianta pegar recurso público, reunir 2.000 pessoas e montar um curso de alfaiate, o desempregado com muito sacrifício até participa do curso, leva o diploma de conclusão para casa, pendura na parede, mas vai trabalhar de alfaiate aonde?
A qualificação dever estar voltada para recolocação, para as necessidades do mercado. Não adianta qualificar simplesmente. É preciso qualificar e empregar, ou gerar trabalho e renda, que dê a pessoa a autonomia que ela tanto deseja.