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Wilson Fava
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Artigo: A população muda seus conceitos e valores.
Publicado em:
14 de outubro de 2007
às 09h15
A população muda seus conceitos e valores.

As pessoas não pensam sempre a mesma coisa sobre a realidade em que vive. Mais certo é dizer que a realidade tem grande poder de influência no pensamento da população. É o que verificamos através de um caderno especial publicado pelo jornal Folha de São Paulo de 7 de outubro, com o título de “Família Brasileira”, onde compara dados atuais com outra pesquisa de mesmo conteúdo realizada nove anos atrás.

Nesta comparação chama atenção a importância maior que a população confere à religião. Há nove anos este item era avaliado em 38% de preocupação e hoje atinge o índice de 45%. O lado espiritual representa para as famílias e população um lenitivo frente ao deterioro de valores e práticas de corrupção na vida pública, bem como a insegurança frente à violência e dificuldades na vida cotidiana das famílias.

A própria família representa um refugio e maior segurança para as pessoas na medida em que o lar é visto como um cerco de auto proteção não somente no aspecto segurança, mas também de isolamento das más companhias e das tentações e frivolidades que podem distanciar os membros de cada núcleo familiar. A questão do desemprego fortalece os vínculos entre os membros de cada grupo familiar, pois exercita a solidariedade e identidade de objetivos de todos os seus componentes. Assim podemos interpretar que a importância da família tenha passado para a população de 61% em 1998 para 69% neste ano.

A importância do trabalho aumentou para as famílias na medida em que não somente persistem altas taxas de desemprego, como é cada vez mais precário os vínculos no mundo do trabalho, com aumento alarmante de terceirizados e informalidade. A população avaliava esta questão em apenas 38% de preocupação na ultima pesquisa, e nove anos depois em 58%. Mas para as famílias com renda entre 10 e 20 salários mínimos o índice salta para 66%.

No tema Estudo também percebemos que as famílias estão cada vez valorizando mais a escolaridade de seus membros. O índice passou de 61% para 65%, sem dúvida pressionado pelas exigências presentes nos mais diferentes campos da sociedade, mas fortemente impulsionado pelo mundo do trabalho onde os menos escolarizados vem suas chances diminuir dia a dia. Este índice é considerado ainda mais importante pelas pessoas com ensino superior, chegando a 74%. Quem estudou mais e sabe mais, valoriza mais ainda o processo de conhecimento como valor preponderante para a sobrevivência no mundo atual.

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