Proteção (não) garantida!
Tráfico de animais silvestres já ocupa a terceira colocação em atividades ilícitas no mundo e, movimenta cerca de 20 bilhões de dólares por ano.
Por Bianca Ceará
Aves, répteis, mamíferos...são tão lindos e exóticos! Com certeza, cada um de nós conhece “alguém” que tenha em casa uma arara-vermelha ou, um papagaio, uma iguana, aranha, ou aqueles quadros, cheios de borboletas presas com agulhas.
Cerca de 90% dos animais silvestres domesticados vêem da atividade ilegal de traficantes.
O Brasil, por possuir uma imensa quantidade de espécimes (biodiversidade), é o ponto-alvo de quadrilhas nacionais e internacionais, especializadas em captura e venda de animais silvestres. O país abriga aproximadamente 1.400 seres vivos, 10% de todos catalogados no planeta. Ocupamos a primeira posição na classificação mundial em: anfíbios, borboletas e primatas.
O tráfico de animais silvestres é uma prática totalmente ilegal e, movimenta cerca de 20 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Só o Brasil contribui com 15%, ou seja, 900 milhões de dólares.
Quem compra um animal desses (jibóia, mico-leão-dourado, jaguatirica, por exemplo), esquece-se que para ele chegar até o destino final, passou por incansáveis sessões de torturas, desde a retirada de seu habitat, passando pelas péssimas condições de cuidados, intermediadores, transporte e etc.
Daremos o exemplo de um papagaio, ave comum nas residências brasileiras. Esse animal foi retirado à força de seu ninho. Deixou para trás seus filhotes, que morreram por falta de alimento ou, por não saberem se defender dos predadores da cadeia alimentar. Isso se forem adultos. Já os filhotes, morrem por não receberem os cuidados da mãe, que possivelmente chegou ao ninho e, infelizmente, não os encontrou. Filhotes, até por serem mais sensíveis, agüentam menos o trajeto até o consumidor.
Ressaltamos que quem compra um animal silvestre, contribui com o tráfico e, passa a ser conivente com as práticas cruéis.
Segundo recente pesquisa, os motivos para os seres humanos possuírem um animal silvestre são três: acham bonito, posição social, sensibilizam-se e creditam que podem cuidar deles melhor que se estivessem na natureza.
- Gostou do meu passarinho?
- Sim, achei bonito. Mas, você não tem dó de deixá-lo preso em uma gaiola?
- Ah, não! Eu o alimento bem, deixo-o quentinho quando está frio! Ah, é muito bom acordar com o canto de um pássaro!
- Mas você não acha que ele sofre por viver preso em uma gaiola?
- Não! Ele tem bastante espaço e, se eu soltá-lo, logo morrerá, não sabe se defender sozinho.
O diálogo apresentado é comum e pode ser constatado por qualquer pessoa que questione o dono de um animal silvestre, sejam iguanas em aquários, cobras em caixas de papelão, aranhas em vasilhas de vidro ou, macacos acorrentados em árvores no fundo do quintal.
Como os animais exigem cuidados especiais, os donos, cansados, doam para amigos ou, para zoológicos. Isso se não os abandonarem. O animal em cativeiro não consegue se proteger, caçar seu próprio alimento e, uma vez solto, dificilmente conseguirá sobreviver.
E como não se preocupar com a extinção desses animais? Só no Brasil, já existem 218 espécies em perigo de extinção e, 7 consideradas extintas por não apresentarem registros nos últimos 50 anos em matas e florestas brasileiras. É fato que isso prejudica o ecossistema e, desestabiliza a cadeia alimentar!
Mas, infelizmente, quem não se sente tocado com as práticas abusivas de maus-tratos, não liga para esse tal de ecossistema!
Quem não se sensibiliza com os pássaros, ainda filhotes, que têm seus olhos perfurados para não enxergarem a luz do sol e, por isso, não cantarem e não despertarem a atenção da fiscalização, não se importa com a bendita cadeia alimentar! É sabido que todos eles são anestesiados e dopados para parecerem dóceis e, agüentarem o trajeto doloroso, completamente “socados”, “esmagados”, sem luz, sem alimento, sem condições mínimas de sobrevivência!
Pode-se afirmar que de cada 10 animais traficados, apenas 1 deles chegará ao seu destino final.
Os contrabandistas agem na região amazônica, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Maranhão. Geralmente, as quadrilhas utilizam mão-de-obra de moradores dessas regiões, que são pobres, mas, conhecem os locais onde eles vivem.
70% dos animais capturados são vendidos em feiras-livres e, 30% são exportados para Ásia e Europa. Uma arara-vermelha, capturada por R$0,50 (isso mesmo, cinqüenta centavos!), é vendida por até 5 mil dólares em Portugal.
A tal consciência precisa existir! Não compre, não dê de presente e nem ensine seus filhos a manter os animais silvestres em casa. O local deles é a natureza, livre de tudo e de todos! A preservação da natureza só depende de você! Faça a sua parte, os animais agradecem!!!
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